Atividade grupo
Qui, 07/08/2014 - 20:50
Quais as vossas actividades preferidas para ultrapassar o Burnout?

Como surgiu o vosso e há quanto tempo?
O meu foi em programação de software. O esforço necessário para que se criem programas de computador/websites/etc que funcionem correctamente, sem erros é sobre-humano e rapidamente me arruinou a saúde, que dantes era super estável. Curiosamente no ano anterior tinha tido o melhor ano da minha vida, bem longe da informática.
Agora já vão mais de dois anos sem que consiga trabalhar, estudei e estagiei mas o esforço serviu de pouco...
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Qui, 07/08/2014 - 23:30
Olá, fui diagnosticada com Burnout em 2010, mas segundo os médicos já estaria doente há anos.Trabalhava entre 12h a 16h dia, mas foi quando deixei de conseguir dormir que tudo desmoronou.
Entrei de baixa médica em Agosto de 2009,inicialmente os médicos diagnosticaram-me Depressão Severa, não tinha motivos para estar com depressão, mas acreditei. Fui medicada com doses brutais de antidepressivos, ansiolíticos e muito mais. Fiquei num estado que eu agora chamo de "coma ambulante", perdi muitos meses da minha vida dos quais não tenho memória. Os médicos não sabiam o que fazer comigo, e eu piorava a cada dia. Felizmente encontrei uma médica que soube exactamente o que se passava comigo, e a partir daí foi dar tempo ao tempo, e ter paciência. Recuperei aos poucos, muito lentamente. Reaprendi a escrever, ler e a controlar os movimentos, porque como diz a minha médica eu "queimei uns fusíveis". Voltei ao trabalho ao fim de 2 anos e 8 meses, mas acabei por ser despedida. Demasiado tempo ausente...
Nunca encontrei ninguém com Burnout, para poder trocar informações, ou algum tipo de apoio. Em Portugal não há muito interesse nesta doença, nem é reconhecida como doença profissional. Neste momento ando num luta com o departamento das doenças profissionais, para que me seja reconhecida.
Sei o que está a sentir, e o desespero que é não conseguir fazer tudo aquilo que no passado era tão fácil, ter que aceitar que nunca vai voltar a ser a mesma pessoa.
Todos somos diferentes, mas acredito, que todos temos o instinto de sobrevivência.
Sex, 08/08/2014 - 00:45
Olá Nídia, muito obrigado por partilhares. Também me interessava saber a indústria em que trabalhavas, porque eu decidi deixar a informática para trás, e por enquanto ainda não consegui recuperar a capacidade "queimada" de tomar decisões, mas queria escolher e ingressar nalgum mestrado este ano lectivo, para não dar por perdido o próximo ano da minha vida também.

Os médicos foram-me receitando diferentes anti-depressivos, para dar conta da ansiedade que me carregava toneladas, e acabei por ficar a tomar regularmente tianeptina/Stablon com poucos efeitos secundários. No entanto, depois dos 6 meses iniciais, interrompi o Stablon e fiquei duas semanas sem tomar, para preparar o sistema para outra medicação, e voltei ao normal, ao meu estado saudável, parecia estar curado! O problema é que passado mais uma semana, fiquei mal outra vez, voltei à estaca zero.
Agora, ao fim de um ano e meio a tomar o Stablon, só penso em parar com a medicação para ver se já estou bem definitivamente, porque não consigo lidar com o dia a dia, e muito menos trabalhar sob esta medicação. Mas a minha médica psiquiatra diz para manter até arranjar emprego, o que se torna muito difícil, cumprir prazos, arranjar auto-disciplina, escrever cartas de motivação já não é fácil saudável, quanto mais com cocktails químicos à baila.

Se me permites perguntar, não conseguiste voltar ao teu estado de saúde pleno depois do Burnout? Já acabaste o tratamento com a medicação mais forte/efectiva ? Estas incógnitas, que nem os médicos parecem saber responder deixam-me deveras preocupado com o futuro, que sempre tinha dado por garantido. Ás vezes nem sei se as minhas altas expectativas agravam a minha condição de saúde. Um abraço.
Sex, 08/08/2014 - 17:20
olá João, eu trabalhava como Técnica de Laboratório de Qualidade, mas era responsável pelo laboratório de testes eléctricos, e elo entre os laboratórios dos EUA e México.
De momento tomo o Tramadol para as dores, e Lírica e Flexiban para a Fibromialgia. No mês passado foi-me receitado mais 2 medicamentos, um para dormir melhor, e outro para a ansiedade. Mas deixei de os tomar, os médicos ainda não sabem.
As informações que tenho do Burnout:
- Não há cura, nem medicação. O descanso físico e metal é a solução. Nos EUA, induzem o coma, para que a pessoa recupere sem sofrimento. Em Portugal, por norma tentam controlar a questão com antidepressivos, ansióliticos, antipiréticos, etc e tal. Foi o que fizeram comigo. Eu recusei-me a continuar essa medicação, tenho 2 filhos pequenos que precisavam de mim, se não podia estar fisicamente com eles pelo menos emocionalmente poderia. Após a paragem da medicação fiquei de ressaca durante um tempo.
Mas o seu caso pode ser diferente, tem que pensar o que é melhor para si.
- O Burnout pode repetir, no meu processo de recuperação fiz várias loucuras, que me conduziram ao 2º Burnout. Fiquei muito pior da 2ª vez.Aprendi a lição. Temos que conhecer os nossos novos limites, ainda estou a aprender...
- Também, devido ao choque de sofrer um Burnout, podem surgir outros problemas de saúde. No meu caso foi a Fibromialgia, detectada em 2011, enxaquecas, e em Julho deste ano, no check up de rotina, risco de sofrer um enfarte, ou AVC. Para piorar a situação, engordei 28Kg. Estou a tentar emagrecer...

Em relação à recuperação plena, para mim não aconteceu, sei que nunca mais vou ser a mesma pessoa. Tenho que me adaptar a esta nova Nídia. Tenho sérios problemas de memória, que combato com lembretes no telemóvel, e aponto tudo numa agenda, mesmo assim as vezes falha. Escrevo com erros ortográficos, que resolvo com o corrector do pc, e quando estou a escrever no papel, pergunto a alguém, como se escreve. Ainda não entendi como funciona isto dos erros, porque umas vezes escrevo bem, e outras não me lembro como se escreve palavras simples e usuais. É importante dormir bem, se não acontecer fico com problemas de raciocínio, parece que não consigo pensar.
Quando voltei ao trabalho, melhorei bastante, em termos de memória e rapidez de pensamento. Agora que estou em casa, tento manter-me ocupada, e exercitar a mente. Quero entrar numa formação de Qualidade, para não parar.Também faço voluntariado numa instituição para animais abandonados, faz-me sentir bem, e aproveito para levar os meus filhos comigo, eles adoram.
Pela minha experiência, o importante é arranjar uma estratégia que resulte consigo. E pode ser qualquer coisa. Eu antes de voltar ao trabalho, frequentei aulas de Língua Gestual, foi muito giro e adorei, infelizmente já não me lembro de muita coisa. Mas o importante foi ganhar auto-estima e confiança, para além de conhecer outras pessoas.


Sex, 08/08/2014 - 18:43
Obrigado pelos detalhes. Realmente eu estou mal, mas felizmente fiquei com os meus pais em recuperação, e por pior que seja a incompreensão da minha família, estou alojado, é melhor do que continuar a trabalhar e cair num 2º burnout perigosíssimo. Eu tenho-me entretido a escrever, perdi um pouco o prazer de tocar guitarra, e não me tenho entretido tanto quanto gostava, seja por falta de actividades diárias sobre que escrever, seja por não ter quem me leia. Também vivo no norte, cultura e ler aqui são coisas um pouco estrangeiras. Portugal tem coisas positivas, mas os hábitos de leitura ainda estão na cauda da Europa. Eu contraí o meu burnout a trabalhar num país nórdico muito atrasado, um ano inteiro frente a um PC a pensar no software, se o programava direito, em vez de pensar em português/inglês. Passava uma semana sem conseguir comunicar uma frase! O meu departamento tornou-se aos poucos (com saídas, e entradas) em 99% de informáticos xatos, negativos, com poucas maneiras. Na única casa decente, em que passei na entrevista para poder alugar quarto(!), tinha um espanhol muito depressivo, que ainda me isolava a seguir ao trabalho, embora o resto dos(as) colegas de apartamento lhe achassem piada era à maneira dele ser!!

Já experimentei psicóloga por sugestão da médica psiquiatra, mas é caríssimo, e ela está convencida que eu tenho de voltar a trabalhar em informática, irresponsavelmente. De qualquer maneira, a memória não consegue reter o pouco produtivo que se fala, por isso já lá não conto voltar. Enviava-me vídeos positivos teóricos para ver, de um apresentador espanhol a entrevistar cientistas anglo-saxónicos, com uma voz off espanhola a não deixar ouvir o que dizia o cientista, e sem repetir as experiências com pessoas espanholas para ver se também tinham efeito igual às anglo-saxónicas, apenas encenava a experiência original para filmar !!! Quando lhe perguntei como aplicar os conhecimentos teóricos na prática, porque positivo era eu bem antes de me meter em informática, disse que estava a pedir demais já. Enfim.
Sex, 08/08/2014 - 19:41
Pode parecer estranho, mas o primeiro livro que tentei ler após o Burnout, foi "Burmout: Quando o traballho ameaça o bem-estar do trabalhador" de Ana Maria T. Benevides Pereira. Foi o único livro sobre burnout que encontrei em português. Comprei na net, acho que na Wook. Também fiz muita pesquisa no google académico sobre a doença, penso que quanto mais souber sobre ela, melhor a posso combater. Em relação a ter um psicólogo concordo, para mim foi, e é muito importante, mas compreendo a questão financeira. Eu tive sorte ao encontrar uma médica que me ajuda, e está sempre disponível, no meio de tanto azar encontrei-a , não teria chegado tão longe sem ela.
Quanto aos familiares, é difícil para eles compreenderem a doença, não vêm nada partido, portanto deveria-mos funcionar. Mas não é bem assim, e isso faz-nos sofrer ainda mais. O meu marido abandonou-me ao fim de uns meses, não queria viver com uma pessoa doente. Por incrível que pareça isso deu-me mais vontade de lutar, não só por mim, mas pelos meus filhos.
Uma das coisas que mais me irritava, era dizerem-me para ter paciência e esperar, e descansar. Mas agora sei que é isso mesmo. Estamos sempre a aprender.
Quanto ao ser positivo ou negativo, todas as pessoas passam por isso, mesmo sem estarem doentes. Há dias melhores e dias piores, e nós com o sistema emocional à flor da pele, é tudo muito intenso. O que resulta para uns pode não resultar para outros. Somos nós que temos que encontrar o nosso equilíbrio.
Peço desculpa, tanta escrita, mas é a 1ª pessoa que encontro com a mesma doença.
Sáb, 30/01/2016 - 21:16
Olá eu estou neste momento num fase inicial do meu 2. burnoult e não sei como sair deste estado severo. Tomo canal e antidepressivo valdoxan, pq não dormia desde o inicio de dezembro. Mas sinto me mal em todos os sítios e nada me dá prazer fazer. Nada mesmo nada. Não me sinto bem a caminhar no parque na praia a ver televisão a ler a falar etc .Não sei o que quero e o gosto ou gostaria ou gostei. Há dias q o meu corpo não tem um pouco de força. A paciência comigo para esperar a cura esgotou se é não me consigo ajudar a mim própria. Gostaria que me dissesem algo q me ajude a sair deste estado. Todos me dizem para ir para aqui e ali mas falta me força e então que estou assim pq quero.

Sáb, 30/01/2016 - 21:30
No meu comentário queria dizer q tomo Xanax. E que todos acham que não faço porque não quero. E isso irrita me mt e leva me a ataques de raiva.
Qui, 25/02/2016 - 21:28
Olá,


É bom ler os vossos depoimentos. Tenho os mesmos sintomas de esgotamento, falta de energia e desmotivação. Não sei o que quero da vida. Irrito-me com facilidade. Tenho problemas de memória e concentração. Quero falar e nem sei o que dizer. Leio as coisas e nem me lembro de nada. É um luta diária. Ninguém sabe como é. É um grande sofrimento. Não há palavras para descrever.

No entanto a minha situação é um pouco diferente da vossa porque eu sempre fui assim. Possivelmente já ouviram alguém dizer: "Já nasceu cansado". Pois é o que nos dizem. Pensam que não queremos fazer nada.

No entanto o que me foi diagnosticado foi dislexia, défice de atenção, depressão, ansiedade social e generalizada, problemas obsessivo,... e possivelmente outras coisas que já nem me lembro. Será que tenho burnout? Ou com isso tudo somado deve dar esgotamento. Será que me disseram isso para não me dizerem que tenho esgotamento?

Com as milhares de pesquisas que fiz na net, encontrei outro nome para os meus sintomas: nevoeiro cerebral e tenho visto alguns vídeos interessantes no youtube e lido alguns artigos no google, enviado centenas de mails a pessoas em Portugal e no estrangeiro.

Há 30 anos que comecei a psicoterapia e nada. Era adolescente. Sempre sai dos consultórios a sentir-me na mesma. Tomei medicamentos sendo acompanhado por vários psiquiatras e nada. São milhares e milhares de euros e nada. A raiva que sinto pelos médicos, em especial pelos médicos que me têm acompanhado.

Só me têm diagnosticado problemas mas tratamentos népias. Nada. Pergunto se os médicos cá em Portugal, só têm teorias mas na prática deviam saber o que fazer num caso como o meu.

Com o tempo descobri que só consegui trabalhar cerca de 18 anos porque tinha alguém a meu lado. Imaginem o que é chegar à conclusão que nunca tiveram em condições.

Estou de baixa desde Setembro de 2013, obrigaram-me a ir trabalhar 1 mês em 2015. Voltei a meter baixa porque tinha de voltar a trabalhar sozinho e vou ter de voltar em Setembro ou Outubro de 2016 ou abdicar do trabalho ou do ordenado. Portanto o sofrimento em 2016 tem aumentado, assim como como a ansiedade.

Quando meti baixa, resolvi ir a uma psicóloga e psiquiatra. 1 ano de psicóloga e como estava incapaz das funções de professor, resolvi tirar um curso de 1 ano e meio. Só como estou esgotado as 10 cadeiras mais parecem 10 cursos. Chego a casa sem capacidade de nada.

Este ano tenho o estágio do curso para fazer mas com tantos problemas psíquicos tenho receio de ir para estágio e por isso ainda não enviei o meu curriculum.

Que vai acontecer quando chegar ao local de estágio e virem que não sei fazer nada ou não estou em condições?

Isso tudo me causa problemas e claro que me sinto péssimo.

Os dois anos de medicamentos anti-depressivos deram em nada. No Verão de 2015 deixei os medicamentos de um dia para o outro porque já nem faziam efeito.

Na vossa situação o que pensam fazer profissionalmente?


As vossas melhoras,

Pedro
Sex, 26/02/2016 - 00:14
Sobre o nevoeiro cerebral, encontrei este vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=Wrl2t7BTUSE

Vejam se têm algum destes dez desequilíbrios metabólicos.