Atividade grupo
Qua, 10/09/2014 - 23:57
Ora bem...
Isto tudo ainda é novo para mim. Muito porque se calhar ainda não me tenha apercebido de que está realmente a acontecer... E foi tudo tão rápido, que não tive tempo para interiorizar a ideia... Mas vou tentar por cá pra fora.

Há um mês conheci a pessoa que podia chamar de "a pessoa da minha vida". Eu sei que ainda sou novo e tudo mais, mas sempre me disseram que quando conhecesse alguém de verdade, e sentíssemos uma sensação muito estranha no peito, mas ao mesmo tempo boa, e que nos fizesse tele-transportar do lugar aonde estivéssemos para uma dimensão aonde as cores das plantas eram mais garridas, e tudo funcionasse como um gigante musical em tempo real... Nunca tinha sentido isso, e por isso não sabia o que era estar apaixonado por alguém de verdade. Mas isso tudo mudou a um mês atrás. Foi amor à primeira vista, intenso como nunca tinha sentido...
Na altura vivia em Viseu, e ele estava lá de férias. Víamo-nos todos os dias, todas as noites, escrevíamo-nos durante todo o dia, quando chegávamos a casa... Era tudo tão especial... O sexo sabia-nos a correcto, a puro, sem perder nunca a malandrice... Mas era puro, era intenso, a respiração era sincronizada, os momentos eram sincronizados...
Acho que pelo menos posso ter isto como um grande romance, e estava disposto a fazer tudo certo.
Tive coragem, e contei à minha família sobre a minha homossexualidade... A minha mãe mostrou-me apoio... Eu mostrei-lhe quem era, ela disse-me que eu tinha muito bom gosto, e que faziamos um bom par. Na altura, a minha mae estava a pensar em lançar um negócio em Lisboa (ele é de Lisboa, e estava por Viseu de férias), e o que ela me disse nunca mais saiu da minha cabeça: "Acho que já está mais do que na hora de andarmos com isto para a frente... Do que é que estás à espera pra ires ter com ele?".
Senti uma felicidade intensa, e esse dia foi para comemorar...
Passámos a noite inteira abraçados a fazer planos para o futuro, a fumar, a olhar as estrelas (lamechices... :D ). Mas a verdade é que tudo estava a ser especial para mim de uma forma em que nunca tinha sentido. Porque ele fazia-me feliz por inteiro, e o meu tempo com ele valia mais a pena...
Eu estava disposto a fazer tudo certo, e por isso na manhã seguinte fiz um teste ao HIV. O resultado foi positivo. O meu mundo desabou... Não sei até que ponto é cliche dizer isso, mas a sensação que tive foi a de alguém ter puxado o tapete aonde estava a minha cadeira. Eu olhava a médica mas não conseguia ouvir o que ela dizia... Eu estava a ver a retrospectiva do meu romance, num cinema 3d mudo dentro da minha cabeça. Pensava nele, nos momentos que tivémos, na minha confissão à familia, na alegria, na noite em que estivemos abraçados a fazer planos para o futuro... Pensava em tudo isso, mas as imagens apareciam com a opção "mute" ligada... Chorei muito... Fiz uma nova coleta de sangue para confirmar o resultado, tinha de esperar uma semana para os resultados estarem prontos... Enquanto voltava para o carro, chorava... Pensava em como lhe ia contar, em como ia contar a minha mãe, pensava neles, na nossa relação... Sentia medo da regeição, do dedo a apontar para a minha cara a dizer "eu te avisei"... Sentia pavor, porque logo naquela hora em que tinha encontrado alguém tão especial, a pessoa certa... Não queria fazer sofrer as pessoas que mais me faziam feliz na vida, e isso me torturava por dentro... Nesse dia tomámos café... Eu não tenho jeito nenhum para dar más noticias, mas ele tinha de saber... ele merecia saber... e por isso lá foi. Ele interrompeu o sorriso... Pensei que ele fosse me mandar à merda, me agredir, sair dali, chorar... Mas quem chorou fui eu, e não foi pouca coisa... Ao invés disso, ele abraçou-me, e disse que ia ficar bem... Estávamos em choque... A noite foi estranha, mas ele abraçou-me mais uma vez, e disse que tudo ia correr pelo melhor... Desculpem o texto longo.
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Qui, 11/09/2014 - 20:05
Ola Pedro,a minha Historia e um pouco parecida com a tua mas nao teve um final feliz,descobri que sou seropisitiva em Marco deste ano e a pessoa que estava comigo na altura rejeitou o que se estava a passar e abandonoume.Estive coisa de dois meses deprimida e chorava por todo que era canto sem saber o que fazer da minha vida,so duas amigas e a medica sabem da minha condiucao,nao fui e acho nunca serei capaz de contar a minha Familia com medo da rejeicao e desiludir.Gostava muito de te conhecer e quem sabe sermos amigos...um beijo muito grande
Qui, 11/09/2014 - 23:47
Olá Pedro. Os primeiros meses são sempre muito maus e falo por experiência própria. Pensamos sempre em coisas muito negativas, pensamos no nosso futuro, pensamos nos planos que vão por água abaixo, pensamos na rejeição... pensamos que estamos sozinhos. Mas é tudo mentira. Esses pensamentos são o nosso medo a falar. ;) Força! Um grande grande abraço.
Sex, 12/09/2014 - 14:12
Mel, é claro que sim! Eu mudei-me esta semana para Sintra, e é claro que gostava de te conhecer, :)
Emanuel, tenho tentado sempre manter a atitude positiva, e não perder nunca o humor. Acho que o segredo, tanto pra isto como pra tudo, é aprender o máximo com tudo o que nos acontece. Mas confesso também que tenho vontade de desabafar. :)
Sex, 12/09/2014 - 23:10
Desabafar é importante. Fui infetado há três anos e ainda hoje me apetece desabafar sobre tudo o que se passou... quanto mais aqueles que estão a passar por isto recentemente...