Artigo

14 Mar, 2016

Num mundo que gira em torno da vaidade e da beleza, é cada vez mais frequente verificar-se o desenvolvimento de doenças ligadas à pressão exercida pela sociedade perante cada um de nós, especialmente nas mulheres jovens. As capas de revistas, a publicidade e a televisão projetam uma imagem falsa e construída do aspeto ideal das pessoas, razão pela qual surgem distúrbios e doenças aliadas ao desejo de se enquadrar nos padrões ditados pela sociedade. Mas nem só da pressão da sociedade surgem este tipo de doenças, existem também outros fatores externos como a pressão entre pares e familiares e fatores internos como a falta de autoconfiança e autoestima e doenças como a depressão. Entre as doenças relacionadas com a pressão interior e exterior exercidas sobre o cidadão comum, existem as doenças do foro alimentar, alimentadas pelo estado emocional e psicológico do paciente que as desenvolve. Falemos então de uma dessas doenças, a bulimia, que frequentemente surge aliada à anorexia ou anorexia nervosa em qualquer tipo de pessoa, tendo no entanto um infeliz foco maior em pessoas jovens do sexo feminino.

O que é a bulimia?

A bulimia é um distúrbio ou transtorno alimentar que leva à dualidade entre o consumo desmesurado e excessivo de alimentos e episódios de vómito, de uso de laxantes de modo a expulsar todos os alimentos ingeridos, e, com eles, todas as calorias que o paciente julga serem desnecessárias para o seu bem-estar. Um paciente bulímico sente-se pesado demais, gordo demais e tem uma péssima imagem de si mesmo. Existem diversos fatores que podem levar ao desenvolvimento da doença, sendo desconhecido o principal fator que leva a que isto aconteça, sendo a principal culpa atribuída aos meios de comunicação social e aos padrões de beleza associados aos mesmos e à sociedade atual em que para se ser “normal” terá que ser magro.

Como se pode ajudar alguém que sofre de bulimia?

A bulimia deve ser tratada o mais cedo possível, pelo que é importante que o paciente se desloque ao médico o mais depressa possível para iniciar o tratamento. É importante manter um acompanhamento do paciente em ambiente familiar quando este não estiver internado, certificando-se que este se alimenta corretamente, com uma dieta equilibrada e complexa, não escondendo nem expulsando os alimentos do seu corpo.
Existem grupos de apoio para pessoas que sofrem de bulimia e outros transtornos alimentares, bem como grupos para apoio a pessoas que lidam com pacientes que padecem de tais doenças. É recomendado que o paciente tenha uma vida saudável, tome a medicação quando é devida e não falte às suas consultas médicas para o tratamento do distúrbio alimentar. É importante que o núcleo familiar e de amigos do paciente se mantenha forte para que o paciente se sinta apoiado mesmo nos momentos mais difíceis, mesmo em caso de recaída.

Que técnicas ou estratégias médicas são usadas para ajudar os pacientes que sofrem desta condição?

Para a consulta inicial, é necessário que o paciente identifique todos os sintomas de que sofre, exponha o seu caso em pleno, vá acompanhado de alguém em quem confia particularmente e se sinta compreendido e num ambiente seguro. Na desconfiança de que o paciente sofre de bulimia, o médico deverá pedir uma vasta gama de exames para verificar o estado de saúde do paciente. Isto é um procedimento normal, até porque a bulimia poderá estar associada ou ter causado outros problemas de saúde, sejam eles físicos, como desidratação, ou psicológicos, como a depressão. Após o diagnóstico, o paciente regressará a casa – só fica internado em casos particulares em que seja necessário – e deverá juntar-se a grupos de apoio, tomar a medicação receitada e proceder a terapia cognitivo-comportamental.

A bulimia é uma doença cada vez mais comum e a solução para o problema parte da ajuda a pessoas que sofrem desse transtorno mas, também, parte da necessidade de reorganizar o pensamento coletivo e os ideais sociais para o corpo humano. O policiamento do corpo de outrem, que é maioritariamente voltado para as mulheres – embora muitos homens sofram do mesmo problema de outras formas – deve ser terminado e deverão surgir novos padrões de beleza focados no interior ou, em oposição, todos os padrões deverão ser abolidos de modo a permitir que cada um de nós, e a cada pessoa de próximas gerações, se aceite como é sem ter que se medir com padrões externos de um ideal é construído e surreal. Se conhece alguém que desconfia que sofre de bulimia, aconselhe-o a procurar ajuda médica o mais depressa possível para que não seja tarde demais e, de modo a combater as normas sociais, aceite-se como é, para que não se torne em mais um número na estatística de pessoas que sofrem de distúrbios alimentares e/ou psicológicos.