Artigo

13 Out, 2015

Existem seis tipos diferentes de hepatite: A, B, C, D, E e G. Nalguns casos, as defesas imunitárias do doente conseguem aniquilar os agentes infecciosos causadores da hepatite, noutros casos é necessário um tratamento antivírico. No entanto, hoje em dia a hepatite, ainda que crónica, é uma patologia que sendo devidamente tratada possibilita que o paciente leve uma vida normal. Um pouco mais sobre as hepatites A, B e C, bem como várias medidas preventivas para cada uma delas é o que se segue.

Hepatite A

Transmitida por um vírus, esta hepatite cura-se rapidamente e não necessita de internamento hospitalar. É uma doença considerada aguda, mas não deixa vestígios após a cura e quase nunca é fatal. Depois de vencida a doença, o corpo desenvolve anticorpos protetores que impedem uma nova infeção e, por isso, não existe hepatite A na forma crónica. Esta hepatite entra no organismo através do aparelho digestivo e multiplica-se no fígado, provocando a sua inflamação. Alimentos ou águas contaminados com dejetos que hospedem o vírus são os principais responsáveis pela hepatite A. É uma doença frequente nos países menos desenvolvidos, onde se regista a ausência de cuidados de saneamento básico ou de higiene.

Medidas preventivas para a Hepatite A

Acima de tudo, a implementação e manutenção de medidas de higiene e condições sanitárias, bem como a aposta na educação das camadas mais jovens da população; com a formação adequada dos adultos que constituam grupos de risco devido à sua extrema pobreza ou à falta de condições no local onde habitam. Alguns cuidados básicos devem ser observados: a correta lavagem dos alimentos crus e das mãos antes de comer ou depois de usar a casa de banho ou mudar fraldas. Não beber água ou utilizar gelo de origens suspeitas. Estes cuidados devem ser redobrados em países de maior risco de surgimento do vírus e onde as condições de higiene sejam duvidosas. A Hepatite A tem um período infeccioso que dura em média 30 dias e durante o qual é necessário assegurar cuidados redobrados no contacto direto com pessoas infetadas com o vírus da doença. O uso de preservativos nas relações sexuais, não utilizar a mesma sanita e lavar a louça usada pelo doente com água a altas temperaturas são formas de prevenir e evitar o contágio. Vacinas apropriadas ou injeções de imoglubina são outras medidas que ajudam a prevenir a doença.

Hepatite B

É a mais perigosa de todas as hepatites e o seu vírus é 50 a 100 vezes mais infeccioso do que o VIH, embora se transmita da mesma forma, ou seja, através do contacto com o sangue e fluidos corporais de alguém infetado. O vírus da Hepatite B pode também ser transmitido de mãe para filho na altura do nascimento. A cronicidade desta doença é mais comum em países pouco desenvolvidos, uma vez que nos países mais industrializados existe a vacina obrigatória contra a Hepatite B que é eficiente em 95% dos casos. Os grupos de risco são formados por consumidores de drogas endovenosas que partilham entre si seringas contaminadas. Outra das formas mais frequentes de contrair o vírus são as relações sexuais desprotegidas com parceiros desconhecidos.

Medidas preventivas para a Hepatite B

Ter muito cuidado com os contactos com sangue potencialmente infetado. Não partilhar objetos cortantes como facas e canivetes, usar apenas seringas descartáveis, não esquecer de utilizar o preservativo nas relações com desconhecidos, ter especial atenção quando se fizerem tatuagens, uma vez que os instrumentos devem ser devidamente esterilizados. O mesmo cuidado é necessário nos tratamentos de acupuntura que envolvem agulhas e na colocação de piercings. Tomar a vacina preventiva é outra forma de prevenir a doença e, juntamente com os cuidados aconselhados, constitui o pelotão da frente na prevenção da Hepatite B.

Hepatite C

A Hepatite C só raramente se apresenta como hepatite fulminante mas, quando crónica, pode conduzir à cirrose, ao cancro e a problemas de insuficiência hepática. É provocada por um vírus que se transmite sobretudo por via sanguínea, sendo que as pessoas que receberam transfusões de sangue ou se submeteram a cirurgias clínicas antes do ano de 1992 constituem um grupo de risco. Os toxicodependentes que se injetam são outro grupo que deve ter especial atenção ao vírus da Hepatite C. Esta é uma das chamadas “doenças silenciosas”uma vez que é possível a pessoa estar infetada durante muitos anos sem sequer desconfiar da sua doença. O progresso na medicina e os cuidados modernos praticados nos hospitais dos países desenvolvidos tornam quase nula a hipótese de ocorrer um contágio deste vírus em dependências hospitalares mas, nos países menos desenvolvidos, os riscos de contágio aumentam e os cuidados a ter devem aumentar na mesma proporção.

Medidas preventivas para a Hepatite C

Não existe ainda uma vacina contra a Hepatite C, por isso, a melhor prevenção passa pelos cuidados a ter com os contactos com sangue contaminado. Não partilhar seringas, facas, escovas de dentes, lâminas de barbear, desinfetar devidamente as feridas e cobri-las com pensos e usar preservativos nas relações sexuais com parceiros desconhecidos (embora a forma de contágio por via sexual não seja muito frequente neste tipo de hepatite).

Ter uma vida saudável e regrada, evitando comportamentos que coloquem a saúde em risco é uma das melhores formas de prevenir as hepatites em todos os seus géneros. Em caso de suspeita, deve consultar imediatamente um médico – apesar de hoje em dia as hepatites serem tratáveis, estas necessitam de ser diagnosticadas atempadamente, até para evitar o contágio involuntário de outras pessoas. Não abandonar o tratamento prescrito e não subestimar a doença sem, no entanto, cair em desesperos exagerados é muito importante para que a cura seja alcançada e a hepatite não se torne uma doença crónica.