Artigo

25 Maio, 2015

Investigadores das Universidades de Harvard e Northwestern descobriram que pequenas alterações genéticas, mas significativas, começam a acontecer mais de uma década antes de o cancro ser diagnosticado. A pesquisa foi publicada na revista online Ebiomedicine.

Os investigadores descobriram que as estruturas que constituem as extremidades dos cromossomas, e que previnem danos na informação genética (ADN), apresentam um desgaste mais significativo em pessoas que desenvolveram cancro.
Estas extremidades, conhecidas como telómeros, eram muito mais curtas do que deveriam ser e continuaram pequenos até cerca de 4 anos antes de a doença se manifestar. Todas as pessoas que apresentaram estas alterações desenvolveram cancro.

Dr. Lifang Hou, o principal autor do estudo e professor de medicina preventiva na Northwestern University Feinberg School of Medicine afirmou que compreender este padrão de crescimento dos telómeros poderá vir a funcionar como um biomarcador para o cancro.
A equipa de investigação encontrou uma forte relação do padrão com uma ampla variedade de cancros.
Embora muitas pessoas possam não ter interesse em saber se virão a desenvolver cancro, esta nova descoberta poderá permitir-lhes fazer uma alteração no estilo de vida de modo a reduzir o risco de desenvolver a doença.
A Universidade de Stanford está também a desenvolver uma investigação, de modo a encontrar uma forma dos telómeros se regenerarem.

Processo de investigação

Durante a investigação, os investigadores registaram diversas medidas de telómeros ao longo de um período de 13 anos, em 792 pessoas, 135 das quais foram diagnosticadas com diferentes tipos de cancro, incluindo da próstata, pele, pulmão e leucemia.
Nas pessoas que desenvolveram cancro, os telómeros pareciam 15 anos mais velhos em relação às pessoas que não desenvolveram cancro.

No entanto, o processo de envelhecimento desacelerou 3 a 4 anos antes do diagnóstico de cancro.
Os telómeros encurtem cada vez que uma célula se divide. Pelo que, quanto mais velha a pessoa, mais vezes a célula já se dividiu, e mais curtos são os telómeros.

Dr. Hou afirmou que o cancro apropria-se dos telómeros para conseguir replicar-se pelo corpo. Nesse sentido, a equipa espera agora identificar de que forma o cancro se apodera das células e que tipos de tratamentos poderão ser desenvolvidos para que as células cancerígenas se autodestruam, sem prejudicar as células saudáveis.

Fonte: "New test can predict cancer up to 13 years before disease develops"