Artigo

24 Abr, 2015

A hipertensão é uma doença do sistema cardiovascular, que se caracteriza pela alta pressão arterial. A pressão arterial é a força causada pela contração do coração e das paredes das artérias para fazer o sangue circular por todo o corpo, a fim de fornecer oxigénio e nutrientes para o funcionamento do organismo. A hipertensão, como o próprio nome indica, é pressão excessiva nas artérias, o que aumenta o risco de problemas de saúde, tais como AVC (Acidente Vascular Cerebral), aneurismas, insuficiência cardíaca, enfarte do miocárdio e lesões do rim. Consta-se que esta doença afeta cerca de 25% da população mundial.

Quais as causas mais frequentes da hipertensão?

  • Consumo excessivo de álcool
  • Consumo excessivo de sal
  • Hereditariedade
  • Má alimentação
  • Obesidade
  • Stress
  • Vida sedentária

Sintomas

Esta é uma doença silenciosa, sendo que a maioria das pessoas que padece de pressão arterial alta nem sequer tem conhecimento. Não há sintomas específicos associados e a única maneira de se confirmar a doença é através da avaliação da pressão arterial. Há situações em que poderá provocar cefaleias, tonturas e mal-estar, mas como estes sintomas são comuns a muitas doenças, não é possível determinar com segurança que se devem à hipertensão.

Quando a hipertensão é grave ou de longa duração e não recebe tratamento, o paciente terá alguns sintomas mais graves, como por exemplo:

  • Cefaleias (dor de cabeça)
  • Dispneia (falta de ar)
  • Hemorragias nasais
  • Fadiga
  • Náuseas
  • Visão turva

Consequências da hipertensão

A hipertensão arterial, quando não é tratada, pode provocar arteriosclerose e causar lesões no coração, pois quanto maior for a tensão, mais o coração terá de bombear, levando à hipertrofia do músculo cardíaco. Esta doença causa também arritmias, anginas de peito e até ataques cardíacos. Pode também interferir no fluxo que irriga o glóbulo ocular, afetando assim a visão.

Lesões cerebrais e renais também são consequência da alta pressão pois o fluxo sanguíneo, sendo insuficiente, intervém na oxigenação provocando, por exemplo, deterioração cerebral e demência vascular. No caso dos rins, pode inclusive conduzir a insuficiência renal crónica e até falha renal.

Diagnóstico

Só é possível detetar a hipertensão através da avaliação da pressão arterial com um tensiómetro. Este aparelho indicará os valores máximos e mínimos da pressão arterial. Se a pressão estiver acima do limite normal é considerada alta, mas só é considerada doença após três medições em que os valores estejam acima dos valores recomendados. O diagnóstico deve ser feito pelo médico e nunca pelo doente.

Graus de hipertensão

A Direção Geral de Saúde determina a existência de 3 graus de hipertensão:

Grau 1 – PAS*: 140 – 159 | PAD**: 90/99
Grau 2 – PAS: 160 – 179 | PAD: 100/109
Grau 3 – PAS: ≥ 180 | PAD: ≥ 110
* Pressão Arterial Sistólica
** Pressão Arterial Diastólica

Como avaliar a pressão arterial?

Para haver uma boa avaliação é necessário ter atenção a alguns aspetos, de modo a que o resultado seja o mais fiável possível:

  1. Anote sempre os valores medidos para os comparar;
  2. Efetue a medição numa posição relaxada, sentado, após descansar 2 a 3 minutos;
  3. Efetue a medição sempre à mesma hora;
  4. Entre duas medições, espere pelo menos um minuto para que as artérias aliviem da pressão antes de uma nova medição;
  5. Faça a avaliação regularmente;
  6. Não fume nem beba café até uma hora antes da avaliação;
  7. Não inicie o processo se sentir vontade de urinar (a bexiga cheia pode aumentar a pressão);
  8. Não se mexa ou fale durante a avaliação;
  9. Se utilizar um aparelho de pulso, mantenha a braçadeira (de pulso) ao nível do coração;
  10. Utilize corretamente o tensiómetro, após ler as instruções.

Prevenção e Tratamento

Não há uma cura para a hipertensão arterial, no entanto, é possível manter a doença controlada. A adoção de um estilo de vida saudável ajuda a descer a pressão arterial, sendo que deverá adotar os seguintes comportamentos:

  • Alimentação saudável: mais frutas, verduras e legumes, pouco sal
  • Eliminar alimentos processados da dieta
  • Deixar de fumar
  • Evitar o stresse
  • Controlar o peso
  • Avaliar a pressão regularmente
  • Nunca parar o tratamento indicado pelo médico
  • Praticar atividade física todos os dias
  • Reduzir o consumo de álcool

A Organização Mundial de Saúde prevê que esta doença continue a aumentar até 2025, afetando cada vez mais as crianças e adolescentes. Daí a necessidade de prevenção através de hábitos de vida saudáveis, pois só assim se poderá garantir uma população saudável e feliz.