Artigo

07 Maio, 2015

O cancro da mama é uma doença que afeta indivíduos de ambos os sexos, com predominância no sexo feminino. Este é o tipo de carcinoma mais comum entre as mulheres, correspondendo à segunda maior causa de morte por cancro. No entanto, os investigadores trabalham arduamente no sentido de descobrir novos modelos de tratamento, prevenção e deteção atempada da doença. Neste contexto, ao longo dos anos os pacientes com cancro da mama têm melhorado a sua qualidade de vida e aumentado sua esperança média de vida com a doença.

Quanto mais cedo se diagnosticar a doença, melhores serão os resultados obtidos, por isso, há que conhecer os sintomas do cancro da mama, sobretudo os primeiros!

Primeiros sintomas do cancro da mama

Quando os primeiros sintomas do cancro da mama surgem, e por se tratar de uma doença tão temível, as pessoas tendem em desvalorizar a sintomatologia ou a associá-los a outras possíveis doenças. Muitas vezes, os próprios médicos erram no diagnóstico, pois a queixa do doente pode ocultar informações determinantes para o diagnóstico do cancro da mama.

Assim sendo, há que conhecer quais os primeiros sintomas do cancro da mama e transmiti-los ao médico, em benefício do paciente:

  • Alteração do aspeto da mama ou do mamilo - Deve-se verificar o aspeto da mama e dos mamilos ao longo do tempo, atentando para possíveis alterações e deformações;
  • Presença de nódulos - É importante realizar a palpação no sentido de inspecionar a presença de saliências ou de regiões duras no interior da mama ou na zona das axilas;
  • Sensibilidade do mamilo - Se sentir o mamilo mais sensível do que o habitual, por exemplo, ao esbarrar no sutiã ou na roupa, deve alertar o médico para esse sintoma;
  • Retração do mamilo - A retração do mamilo ocorre quando este se volta para dentro da mama;
  • Aspeto escamoso, vermelho ou inchado da mama - É importante verificar a presença de saliências ou de reentrâncias na mama;
  • Secreções pelo mamilo - Deve-se averiguar a existência de um fluido proveniente do mamilo. Se existir, é urgente informar o médico;
  • Qualquer outro sintoma anormal e persistente - relacionado com as mamas e as axilas, por exemplo: a presença de borbulhas e dor.

Principais sintomas do cancro da mama

Quando os primeiros sintomas do cancro da mama não são atendidos e a doença evolui, os principais sintomas da doença são:

  • Presença de nódulos ou caroços nas mamas e nas axilas
  • Alteração do tamanho e da forma da mama
  • Assimetria entre as mamas
  • Presença de um afundamento numa das partes da mama
  • Alterações da pele da mama: endurecimento, rugas ou efeito casca de laranja
  • Vermelhidão da pele, inchaço, calor ou dor persistente na pele da mama
  • Coceira na mama ou no mamilo
  • Surgimento de crostas ou feridas em torno do mamilo
  • Libertação de líquido ensanguentado pelo mamilo

Nos casos mais avançados do cancro da mama, aos principais sintomas acrescentam-se:

  • Náuseas e vómitos
  • Perda de apetite
  • Dor de cabeça
  • Dor nos ossos
  • Fraqueza muscular

Na presença isolada ou conjunta dos sintomas apresentados, o paciente deve ser observado por um médico especialista. Quanto mais precocemente for diagnosticado o cancro da mama, melhor são as hipóteses de recuperação.

Diagnóstico

No diagnóstico do cancro da mama, o médico deve atender à história clínica do paciente. Se existirem casos de cancro na história genealógica do paciente, maiores são as probabilidades de desenvolver esta espécie de cancro.

Em todo o caso, é necessário realizar exames físicos e clínicos para o diagnóstico do cancro da mama. Segue-se uma lista com os principais exames efetuados para o diagnóstico da doença:

  • Palpação – A palpação é realizada para detetar nódulos ou gânglios na mama. O médico, através da palpação, consegue distinguir se o nódulo presente é benigno ou maligno, pois, estes diferem no tamanho, na forma, na textura e na sua mobilidade. Se os nódulos forem duros, ásperos e irregulares, provavelmente são nódulos malignos.
  • Mamografia – A mamografia consiste num exame baseado em imagens raio-X, que permite obter uma imagem mais detalhada da região da mama que pareça suspeita.
  • Ecografia – A ecografia mamária permite examinar se o nódulo presente contém líquido ou se é uma massa espessa.
  • Ressonância magnética – A ressonância magnética permite visualizar, de uma forma mais detalhada, os tecidos internos da mama, sendo que os resultados podem ser complementados com a mamografia.
  • Biopsia – A biopsia consiste na recolha de células ou de líquido da mama para confirmar a existência de cancro.
  • Análise do recetor – A presença de HER2+ associa-se a um caso de maior agressividade da doença e necessita de um tratamento específico para a sua eliminação.
  • Exames adicionais – Consistem em testes laboratoriais específicos para auxiliar o médico na perceção do tipo de cancro, no sentido de melhor planear o tratamento do paciente.

Quando é detetada a presença de células cancerígenas na mama é diagnosticado o cancro na mama. Existem dois tipos de cancro da mama: o carcinoma ductal e o carcinoma lobular. O carcinoma ductal origina-se no interior dos canais de passagem do leite. Por sua vez, o carcinoma lobular tem início nos locais onde se forma e armazena o leite.

Tratamentos

Como referido, quanto mais precocemente se diagnosticar o cancro da mama, maiores são as possibilidades de recuperação através dos tratamentos disponíveis. Os tratamentos variam de pessoa para pessoa, e o mesmo paciente pode receber mais do que um tipo de tratamento. Tudo depende dos seus sintomas e da gravidade do diagnóstico. Os principais tratamentos são:

  • Quimioterapia
  • Radioterapia
  • Terapia hormonal
  • Terapia dirigida
  • Cirurgia de remoção (apenas do tumor ou da mama)
  • Medicamentos para o controlo da dor e de outros sintomas ligados ao cancro da mama

O tratamento do cancro, incluindo o cancro da mama, pode ser local ou sistémico. O tratamento local implica a cirurgia e a radioterapia no local, removendo as respetivas células do cancro da mama. No entanto, em caso de metáteses (expansão das células tumorais) para outras regiões do corpo, este tratamento não é eficaz. O tratamento sistémico consiste na quimioterapia, terapia hormonal e dirigida, que implica a introdução de químicos na corrente sanguínea, levando à destruição das células cancerígenas existentes em todo o organismo.

Prognósticos e recomendações

A taxa de sobrevivência de casos de cancro da mama em estado localizado ou localmente avançado é igual. Dependendo do diagnóstico e dos tratamentos necessários para a remoção das células cancerígenas, elas trazem efeitos secundários que afetam o aspeto da mulher.

O tratamento químico normalmente resulta na queda capilar. Embora seja um efeito que atua sobre a autoestima da mulher, o cabelo volta a crescer ao fim de algum tempo. Durante o tempo intermédio é possível optar pelo uso de toucas, lenços ou perucas. A seleção dos materiais deve ser cuidadosa para não criar alergias na pele.

A mastectomia implica a remoção da mama de forma completa. Por conseguinte, a mama é uma expressão da feminilidade da mulher, logo, a sua remoção afeta amplamente a sua autoestima. Por outro lado, a remoção da mama de uma mulher afeta de forma anímica as pessoas próximas que a rodeiam, pois é um sinal expressivo de amputação. Contudo, o pensamento deve posicionar-se sempre na necessidade de sobrevivência e na recuperação da saúde, pois isso é o mais importante de tudo. Mais tarde poder-se-á pensar na reconstrução mamária.

Sumarizando, o cancro da mama é um dos tipos de cancro mais comum em todo o mundo. Neste sentido, há que estar atento aos primeiros sintomas da doença, consultando o seu médico quando tiver alguma suspeita. Quanto mais cedo se diagnosticar o cancro da mama, melhores serão os resultados e as hipóteses de sobrevivência aos tratamentos aplicados. Após os tratamentos, o paciente deve retomar a sua vida normal e realizar a fisioterapia necessária nos casos de mastectomia e de reconstrução mamária.

É possível sobreviver e viver com qualidade de vida após um cancro da mama. Paralelamente, milhares de investigadores em todo o mundo dedicam-se diariamente ao estudo, à prevenção e à pesquisa da cura do cancro da mama, sem efeitos colaterais.