Artigo

10 Set, 2014
Radiografia aos pulmões

Sendo um dos tipos de cancro que surge com mais frequência, o cancro do pulmão é responsável pela morte de muitas pessoas em todo o mundo. No entanto, e como nem tudo são más noticias, têm surgido vários avanços na medicina que permitem diagnosticar a doença numa fase inicial, fazendo com que o seu tratamento seja eficaz.

É importante saber em que consiste o cancro do pulmão, bem como os sintomas e sinais de perigo, de forma a agir rapidamente, aumentando assim as hipóteses de cura.

O que é

O cancro do pulmão é uma doença maligna que se caracteriza por um crescimento anormal e descomedido das células dos tecidos pulmonares, designadamente de um dos três grupos de tecidos básicos do organismo humano, as células epiteliais, que têm como função envolver superfícies exteriores e as concavidades do referido organismo.
Habitualmente, o cancro do pulmão inicia-se na parede dos brônquios, ou no próprio tecido pulmonar, por um processo de mutação genética que conduz à estimulação dos chamados oncogenes (genes com potencial para criar tumores e que sofrem uma mutação) ou à inibição dos designados genes de supressão de tumores.

Esta doença, se não for diagnosticada e tratada em tempo útil, pode alastrar por todo o corpo, dando origem às chamadas metástases, que são neoplasias formadas a partir de tumores cancerígenos e entre os quais não existe qualquer ligação, e que vão repetindo o processo de multiplicação até à morte do paciente.

Agentes cancerígenos

O tabaco é, sem quaisquer dúvidas, e como está cientificamente provado, o maior causador do cancro do pulmão, representando cerca de 90% da origem desta doença, afetando não só quem fuma, mas também aqueles que não o fazendo, estão com regularidade sujeitos ao fumo do tabaco, sendo estes os designados “fumadores passivos”.
Não é só o tabaco propriamente dito que é cancerígeno, são-no também os filtros e o papel dos cigarros, devido aos componentes químicos que incorporam.

Existem contudo outros agentes cancerígenos, que são também responsáveis pelo aparecimento da neoplasia pulmonar como, por exemplo, o amianto, o rádon (e outras emissões radioativas), a poluição atmosférica, gases tóxicos (entre outros, éter metílico e o gás de mostarda), e alguns metais (alumínio, arsénico e compostos de crómio e berílio, por exemplo).

De acordo com os dados científicos conhecidos até esta altura, o cancro do pulmão, em cerca de 8% a 14% dos casos, também pode ser de origem genética. 

Sinais de perigo, sintomas e diagnóstico

É importante realçar que o diagnóstico precoce desta doença, num período entre os três e os seis meses após o seu aparecimento, é um fator decisivo na sua cura.
Para tal, é necessário estar atento aos sinais de perigo e aos sintomas desta patologia, em que se destacam:

  • Dores constantes nas costas, peito, ombros e/ou pescoço
  • Rouquidão
  • Pieira
  • Dificuldade em respirar
  • Febre
  • Cansaço sem razão evidente
  • Sangue na expetoração
  •  Perda de vontade de comer e de peso
  • Dificuldade em engolir
  • Edemas no pescoço e na cara
  • Bronquites ou pneumonias periódicas

A persistência destes sintomas deverá levar o paciente a consultar um médico que, para confirmar, ou não, o diagnóstico de cancro do pulmão recorrerá a um conjunto de exames médicos, designadamente análises de sangue, uma Tomografia Axial Computorizada (TAC), e mais raramente uma radiografia. Caso seja necessário, poderá também realizar uma biopsia.
Esta patologia pode também ser descoberta na sequência de outros indícios que aparecem noutros órgãos do corpo humano, como as dores nos ossos, nódulos sob a pele, ou sinais semelhantes ao Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Métodos terapêuticos

A ciência ainda não descobriu qualquer vacina para o cancro do pulmão, pelo que em caso de a doença surgir, é necessário recorrer aos métodos terapêuticos habituais no tratamento de qualquer tipo de cancro – quimioterapia, radioterapia e cirurgia – que podem ser utilizados individualmente, ou combinados, dependendo do estado de evolução da doença.

Graças à investigação biomédica realizada nos últimos tempos, o tratamento deste tipo de cancro conheceu um grande desenvolvimento, tendo sido descobertos novos medicamentos que atuam de uma maneira diferente da quimioterapia clássica e dão uma nova esperança aos pacientes, como o “Erlotinib”, que é um inibidor da proteína “tirosina quinase” que está modificada quando existe um tumor; e o “Bevacizumab”, que é um anticorpo monoclonal que bloqueia o crescimento do carcinoma e a possibilidade de este dar origem a metástases.

Estudos realizados no Hospital de Rhode Island, nos Estados Unidos, vieram mostrar que a aplicação de correntes elétricas de alta frequência no carcinoma se revelou eficiente no tratamento deste tipo de cancro.

Medidas para prevenir o cancro do pulmão

Existem algumas medidas que permitem prevenir o aparecimento do cancro do pulmão:

  • Deixar de fumar
  •  Zelar pela forma física
  • Comer vegetais e fruta com abundância
  • Limitar o consumo de carne e gorduras saturadas
  • Fazer exames regularmente