Epilepsia

A epilepsia é um distúrbio neurológico em que um agrupamento de células cerebrais se comporta de maneira hiperexcitável, o que provoca a ocorrência de crises epilépticas. Esta condição tem consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais e prejudica diretamente a qualidade de vida do indivíduo afetado.

Epilepsia é uma doença cerebral crónica causada por diversas etiologias – por lesão cerebral, em muitos casos produzidas durante o nascimento ou traumatismo cerebral; malformações ou tumores, meningites, encefalites, etc., pode ser idiopática, ou seja, de causa desconhecida.

Muitos casos de epilepsia secundária a traumatismos podem ser evitados por um comportamento preventivo responsável como usar cinto de segurança, capacetes de proteção e transportar as crianças em equipamentos adequados. Cuidados pré-natais e obstétricos de qualidade contribuem para prevenir problemas neurológicos futuros, nomeadamente, a epilepsia.

As características das crises são variáveis e dependem da zona do cérebro em que se inicia e como se propaga. Assim, podem produzir-se sintomas transitórios, como ausências ou perdas de conhecimento, ou transtornos dos movimentos e dos sentidos, do humor ou das funções mentais. As crises convulsivas podem ser focais ou generalizadas.

Durante a convulsão pode ocorrer:

• Perda temporária da consciência
• Espasmos musculares intensos, produzindo contrações por todo o corpo
• Rotação acentuada da cabeça para um lado
• Dentes firmemente cerrados
• Incontinência urinária

Após a convulsão:

• Dor de cabeça
• Confusão mental temporária
• Fadiga intensa

Normalmente, o paciente não se lembra do que ocorreu durante a crise. Na grande maioria dos casos, as crises desaparecem espontaneamente, mas a tendência é que se repitam de tempos em tempos. Crise que dura mais de 5 minutos ou crises recorrentes indicam uma situação de emergência neurológica conhecida como estado de mal epilético. Nesse caso, o doente precisa de atendimento médico imediato.

Na maioria dos casos, o diagnóstico de uma crise epiléptica pode ser feito clinicamente através da obtenção de uma história detalhada. Muitas vezes, o auxílio de uma testemunha ocular é importante para que a crise seja descrita em detalhes. A existência de aura, bem como as condições que possam ter precipitado a crise devem ser registadas. Idade de início, frequência de ocorrência e intervalos mais curtos e mais longos entre as crises devem ser caracterizados, muitas vezes com o auxílio de um diário de crises. A história deve cobrir a existência de eventos pré e perinatais, crises no período neonatal, crises febris, qualquer crise não provocada e história de epilepsia na família. Traumatismo craniano, infeção ou intoxicações prévias também devem ser investigados. Os principais meios de diagnóstico são: EEG (eletrócelografia), TAC (tomografia axial computorizada), RM (ressonância magnética).

A precocidade do diagnóstico implica diretamente o tratamento mais adequado.

O uso da medicação tem o objetivo de bloquear as crises, eliminando a atividade anormal do cérebro, a fim de assegurar boa qualidade de vida para o doente. Atualmente, há um elevado número de fármacos anti epilépticos, cada qual apropriado a diferentes situações clínicas.
A determinação do tipo específico de crise e da síndrome epiléptica do paciente é importante, uma vez que os mecanismos de geração e propagação de crise diferem para cada situação, e os fármacos anti convulsivantes agem por diferentes mecanismos que podem ou não ser favoráveis ao tratamento.
O tratamento cirúrgico está indicado em situações muito específicas.

Fármacos anti epilépticos podem produzir efeitos adversos graves, especialmente quando utilizados em doses elevadas ou em combinação com outros fármacos. Sempre que o controle completo de crises se revelar inalcançável, uma estratégia alternativa adequada é combinar uma frequência de crises mínima desejável com efeitos adversos mantidos dentro de limites aceitáveis. Efeitos adversos relacionados ao uso de fármacos anti epilépticos podem ser relacionados ou não com a dose. Em geral, os efeitos relacionados com a dose utilizada, como letargia, sonolência, ataxia e diplopia, são reversíveis, isto é, desaparecem com a redução da dose ou com a suspensão do fármaco causador dos sintomas. No entanto, alguns quadros provocados por sobredosagem são potencialmente graves e irreversíveis.

É fundamental um diagnóstico diferencial correto com outros distúrbios paroxísticos da consciência, como sincopes e crises não epilépticas psicogénicas.

Os sintomas e sinais que o doente apresenta devem ser devidamente avaliados e valorizados, devendo o doente ser orientado para a especialidade de neurologia.

Da adesão ao tratamento, depende o controlo das crises e, consequentemente, a qualidade de vida. O doente não deverá, de forma nenhuma, interromper as consultas médicas. É preciso evitar que possíveis efeitos colaterais possam ser atribuídos erroneamente à epilepsia. No entanto, caso eles ocorram, há como ajustar a dose ou trocar o medicamento por outro. No entanto, não deve reduzir a dose do remédio prescrito pelo médico por conta própria – o controle das crises depende do uso contínuo da dose adequada para o seu caso.
Mesmo com um tratamento farmacológico adequado, é importante que o doente identifique e evite situações que aumentem a sua suscetibilidade a crises, como exposição a flashes de luz intermitentes (por exemplo, videojogos), privação de sono ou abuso de bebidas alcoólicas.

Depende de cada doente, de uma maneira geral tem efeitos benéficos, principalmente por ajudar o doente e a família a encontrar uma estratégia mais positiva para conviver com a doença.

Se testemunhar uma crise convulsiva generalizada de um paciente com epilepsia, com queda e abalos musculares generalizados:
• Permaneça calmo e vá controlando a duração da crise, olhando periodicamente para o relógio
• Coloque uma toalha ou um casaco dobrado debaixo da cabeça da pessoa
• Quando os abalos (convulsões) pararem, coloque a pessoa na posição lateral de segurança
• Permaneça com a pessoa até que recupere os sentidos e respire normalmente
• Se a crise dura mais do que 5 minutos ou se se repetir, chame uma ambulância
• NÃO introduza qualquer objeto na boca, nem tente puxar a língua (a teoria de que as pessoas podem "enrolar a língua" e asfixiar não tem fundamento)
• NÃO tentar forçar a pessoa a ficar quieta
• NÃO lhe dê de beber

De forma geral, um epiléptico que conhece a sua doença possui um cartão informando a sua condição com dados sobre o medicamento que toma, o telefone do médico ou familiar que deve ser chamado e até mesmo o que fazer em caso de crise convulsiva.
Após uma crise de epilepsia, é normal que a pessoa demore de 10 a 20 minutos num estado de apatia como se estivessem adormecidas. Nem sempre o indivíduo tem consciência do que aconteceu, por isso, dispersar as pessoas para permitir a circulação de ar e a recuperação do epiléptico sem constrangimentos é importante.