Artigo

12 Dez, 2014

Uma equipa de investigadores norte americanos desenvolveu um novo composto químico que parece ser promissor em restabelecer a função da medula espinhal, regenerando os nervos da coluna. O composto, que os investigadores designaram de “intracellular sigma peptide” (ISP), permitiu uma recuperação dos músculos paralisados em cerca de 80%. O estudo foi apresentado na edição de 3 de Dezembro 2014, na revista científica Nature.

Quando há uma lesão na coluna vertebral, a ligação com o cérebro que permite controlar os movimentos dos músculos e da bexiga, fica interrompida.
Na investigação, 21 dos 26 ratinhos envolvidos no estudo, recuperaram o controlo da bexiga e/ou dos músculos. A investigação mostrou que o composto à base de peptídeos parece permitir que as fibras nervosas superem cicatrizes que normalmente bloqueiam o seu crescimento. Esta é uma recuperação sem precedentes, afirma o neurocientista Jerry Silver, responsável pelo estudo.

O composto à base de peptídeos, ISP, parece também apresentar um potencial tratamento para doenças onde o corpo produz cicatrizes, como ataques cardíacos, lesão dos nervos periféricos e esclerose múltipla. Assim, este composto permite que os nervos reajam, superando a cicatriz que normalmente bloqueia a sua recuperação.
Imediatamente após uma lesão do sistema nervoso central (SNC), forma-se uma cicatriz que acumula proteínas de açúcar (proteoglicanos), as quais recolhem o tecido da cicatriz no local da lesão e na rede perineuronal (PNN). No tecido saudável, proteoglicanos são os principais componentes da matriz entre as células, desempenhando um papel fundamental na manutenção da estrutura do sistema nervoso. No entanto, após uma lesão, os proteoglicanos tornam-se abundantes no tecido da cicatriz, formando redes impenetráveis ao redor das sinapses por todo o cérebro e medula espinhal, levando à formação de uma enorme barreira, impedindo a regeneração e novas ligações nervosas.

Os proteoglicanos criam espaços hidratados ao redor das células e entre as células e formam géis de vários tamanhos e densidades de carga. Isto, por sua vez, é importante para a difusão de gases e nutrientes que vão e que vêm das células, e para controlar a migração celular.
Atualmente, não existem terapias medicamentosas disponíveis que melhorem a recuperação natural de lesões da medula espinhal, afirmou o diretor do National Institute of Neurological Disorders and Stroke, Lyn Jakeman.

Neste estudo, estiveram envolvidos 26 ratos com lesões na medula, que receberam injeções diárias de ISP durante 7 semanas. Durante este período, os ratos foram avaliados relativamente à sua capacidade de andar, de manter o equilíbrio e controlar a bexiga. Os resultados mostraram que 21 dos 26 ratos recuperaram uma ou mais das funções após as injeções, sendo que alguns recuperaram todas as funções.
Na verdade, a equipa de investigação afirma que não sabe porque alguns animais recuperaram todas as funções e outros não, mas acreditam que estará relacionado com as fibras dos nervos da coluna que foram afetados pela lesão.

Fonte: Scientists design peptide to promote functional recovery following spinal cord injury