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10 Out, 2014

Investigadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, desenvolveram um teste para diagnosticar a depressão. De acordo com o estudo, quem tem a doença possui 9 marcadores genéticos alterados, os quais podem ser identificados através de uma análise ao sangue.
Atualmente, o diagnóstico da depressão é subjetivo e é realizado com base em sintomas não específicos, tais como variação de humor, alteração do apetite, fadiga, perda de interesse por atividades que anteriormente davam prazer, tristeza contínua, insónias, entre outros sintomas. No entanto, estes sintomas podem estar associados a um grande leque de doenças mentais ou físicas. O diagnóstico também depende da capacidade do paciente relatar os seus sintomas, assim como, da capacidade do médico os interpretar. Além de que muitas vezes os pacientes deprimidos não descrevem corretamente os seus sintomas.
Um relatório europeu de Março 2013 apresenta que Portugal é o terceiro país da Europa onde o suicídio mais cresceu nos últimos 15 anos, estimando-se que morrem mais de 5 pessoas por dia.
Com este novo avanço na investigação, os autores do estudo acreditam que no futuro esta análise ajudará os médicos a descobrir que pessoas apresentam maior predisposição para a depressão e se determinado tratamento será eficaz para aquele paciente.

CHICAGO é o nome do primeiro teste para diagnosticar depressão major em adultos. O teste identifica a depressão medindo os níveis de 9 marcadores sanguíneos de RNA. As moléculas de RNA são responsáveis por interpretar o código genético do DNA e fazem o organismo funcionar de acordo com as informações descodificadas.
O teste permite também prever se o paciente beneficiará da terapia cognitivo-comportamental com base no comportamento de alguns marcadores, levando assim a uma terapia personalizada para pessoas com depressão.

O estudo incluiu 32 pacientes, com idades compreendidas entre 21 e 79, tendo o diagnóstico de depressão ter sido feito de forma independente, e 32 pessoas sem diagnóstico de depressão da mesma faixa etária (grupo controlo).
Numa primeira fase da investigação, os investigadores realizaram um exame ao sangue a todos os participantes do estudo, tendo identificado que 9 marcadores de RNA eram significativamente diferentes entre os indivíduos com e sem depressão.
Posteriormente, os participantes com depressão foram submetidos a um tratamento para tratar a doença. Ao longo de 18 semanas, a equipa de investigação foi medindo os níveis desses 9 marcadores. Dessas medições, a equipa de investigação concluiu que os níveis dos marcadores foram variando ao longo do tempo.

A investigadora e professora de psiquiatria e ciências comportamentais na Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, Eva Redei afirmou que “isto indica claramente que se poderá ter um teste de laboratório para a depressão, proporcionando um diagnóstico científico da mesma forma que alguém é diagnosticado com pressão arterial elevada ou colesterol elevado".
Os próximos planos da equipa de investigação será testar num maior número de pessoas, e avaliar se o teste conseguirá diferenciar entre depressão major e depressão bipolar.

Fonte: "Blood transcriptomic biomarkers in adult primary care patients with major depressive disorder undergoing cognitive behavioral therapy”, Translational Psychiatry