Artigo

13 Nov, 2014

Há muito tempo que profissionais de saúde têm vindo a defender os benefícios do exercício físico para combater a depressão causada por stress. Melhor humor, mais energia, melhoria das capacidades cognitivas e uma sensação de relaxamento são algumas das mais-valias da prática de exercício físico.
Aliás, em alguns países, como na Suécia, um psiquiatra pode prescrever exercício físico como terapia a um doente diagnosticado com depressão.

Uma equipa de investigação, publicou um estudo na revista Cell, onde afirmam que a prática de exercício físico aumenta os níveis de uma proteína nos músculos, que permite evitar e/ou tratar a depressão provocada pelo stress.
Em situações de stress, é produzida uma substância designada por quinurenina. Este composto atua sobretudo a nível cerebral, induzindo um estado depressivo e distúrbios neuro-cognitivos.
Assim, a quinurenina está associada a comportamentos como a depressão, tendências suicidas e esquizofrenia.

Antidepressivo muscular tratará depressão?

A investigação consistiu em usar dois grupos distintos. Num grupo foi dado o composto a ratos geneticamente modificados, os quais possuíam elevados níveis da proteína PGC-1a1 (uma proteína com capacidade de regular a expressão de diferentes genes), conferindo aos músculos uma resistência ao cansaço.
Os investigadores sujeitaram ambos os grupos a ambientes de “stress”, como ruídos altos ou luzes brilhantes e, 5 semanas após a exposição a este ambiente, os ratos transgénicos não apresentavam sintomas de depressão.
Numa outra experiência, colocaram os ratos num recipiente com água, e os ratos geneticamente modificados demoram menos tempo a sair do recipiente, dado que os “ratos deprimidos” não tinham motivação para se salvarem, passando mais tempo a boiarem na água.
Numa fase posterior, a equipa de investigação realizou os testes em 13 pessoas voluntárias – 6 homens e 7 mulheres, com idades compreendidas entre os 22 e 25 anos.
Antes de terem submetido os voluntários a um programa de exercício físico, durante 3 semanas, foram recolhidas amostras do músculo. O exercício físico incluiu andar de bicicleta e correr numa passadeira.

Como conclusão do estudo, os investigadores confirmaram alterações bioquímicas no grupo que realizou exercício físico, o aumento da proteína PGC-1a1, a qual protege o cérebro do efeito nocivo da quinurenina.
Assim, os investigadores acreditam que este estudo poderá trazer esperança na criação de uma nova classe de antidepressivos, que atuará nos músculos e não no cérebro, como uma grande parte dos antidepressivos comercializados, os quais possuem, regra geral, efeitos secundários.
Como trabalho futuro, os investigadores pretendem alargar a faixa etária dos voluntários e acompanhar doentes depressivos e os seus mecanismos de resposta muscular. Um dos próximos passos da investigação será, também, procurar produzir um medicamento que tenha como substância ativa a proteína PGC-1a1, de forma a ser usada como terapia ou para a depressão ou em conjunto com a prática de exercício físico aeróbico.

Fonte: Skeletal Muscle PGC-1α1 Modulates Kynurenine Metabolism and Mediates Resilience to Stress-Induced Depression