Artigo

06 Mar, 2015

Células do sistema imunitário em ratos com sintomas de lúpus possuem metabolismos hiperativos, assim os investigadores inibiram 2 vias metabólicas, tendo conseguido reverter os sintomas de lúpus em ratos.

Numa pesquisa recente, e tendo em conta que as células do sistema imunitário em ratos com sintomas de lúpus possuem metabolismos hiperativos, os investigadores decidiram inibir duas vias metabólicas e conseguiram reverter os sintomas de lúpus em ratos.

O que é o Lúpus?

Num doente diagnosticado com lúpus, as células imunes atacam os tecidos do próprio corpo, como se fosse um agente patogénico e estranho para o organismo, podendo levar a danos na pele, articulações, rins, e mesmo no cérebro. Assim, o lúpus eritematoso sistémico (LES) é uma doença autoimune do tecido conjuntivo, resultando numa inflamação, podendo afetar qualquer parte do corpo.
Esta doença pode afetar pessoas de todas as idades, raças e sexos. No entanto, o estrato social mais afetado pela doença é representado pelas mulheres entre os 15 e os 40 anos de idade.

O estudo desenvolvido

Uma equipa de imunologistas relatou que algumas destas células do sistema imunitário possuem um metabolismo muito ativo e a inibição de duas importantes vias metabólicas pode reverter os sintomas de lúpus em ratinhos.
O estudo apresenta evidências de que uma combinação de inibidores metabólicos poderá trazer uma terapia eficaz no tratamento do lúpus, afirmou Manan M. Mehta e Navdeep S. Chandel da Universidade Northwestern.

Antes de testarem estes inibidores, Laurence M. Morel, da Universidade da Florida e os seus colegas estudaram o metabolismo das células T CD4+ (células que organizam e comandam a resposta diante dos agressores). No lúpus, as células do sistema imunológico comandam as células B na produção e segregação de anticorpos sanguíneos, que têm como alvo o tecido do próprio corpo.
Quando as células T “estão em busca” por agentes patogénicos, elas alteram o seu metabolismo para que possam proliferar mais rapidamente. A investigadora Laurence Morel colocou a hipótese de que, em pacientes com lúpus, as células T apresentariam um metabolismo extremamente ativo.

De modo a testar esta ideia, os investigadores analisaram as duas vias metabólicas associadas ao metabolismo da glicose: a glicólise e a oxidação que ocorre nas mitocôndrias. Em comparação com células T de ratinhos saudáveis, as células do lúpus apresentaram um pH mais elevado e um maior consumo de oxigénio, sinais de altas taxas de glicólise e oxidação mitocondrial.

A investigadora Morel e a sua equipa testaram dois inibidores metabólicos em ratos com lúpus: 2-desoxiglucose (2-DOG), que inibe o metabolismo da glicose; e metformina, que atrasa o transporte de eletrões na via de oxidação na mitocôndria. Os ratinhos com lúpus que receberam os dois compostos em água apresentaram uma inibição dos sintomas ao longo de 3 meses. Os níveis dos anticorpos desceram e a ativação das células T voltou ao normal.

A metformina já foi aprovada pela FDA (Food & Drug Administration) para o tratamento da diabetes tipo 2, no entanto, a investigadora Morel afirma que precisam de mais dados sobre estes inibidores e compreender melhor os seus efeitos no sistema imunológico, antes de proceder para um ensaio clínico em pacientes com lúpus.

Fonte: Drugs for Metabolism Could Reverse Lupus