Lipedema

Lipedema ou lipoedema é uma doença crónica do tecido adiposo, afetando geralmente as pernas, ancas e braços, resultando, assim, de uma alteração patológica nas “células gordas” do organismo.

Distingue-se essencialmente através de 6 características:

  1. Pode ser hereditária.
  2. Ocorre quase exclusivamente em mulheres.
  3. Pode surgir em mulheres independentemente do peso, desde mulheres com baixo peso a mulheres com obesidade mórbida.
  4. Ao contrário da gordura normal, a gordura obtida devido ao lipedema não é perdida através do exercício físico e dieta.
  5. Um indicador patognomónico de lipedema é o facto de os pés serem poupados.

Lipedema é geralmente desencadeado na puberdade, podendo também ser desencadeado ou agravar durante ou após a gravidez, durante a perimenopausa, e pós-cirurgia ginecológica.
O lipedema é observado em grande parte dos casos em mulheres, podendo também ser observável em homens. Geralmente, quando um homem é diagnosticado com lipedema, está associado a uma lesão hepática.
O lipedema é também muitas vezes confundido com obesidade e linfedema, pelo que se torna importante conhecer os sinais e sintomas da doença.

A causa da doença permanece ainda desconhecida. No entanto, existe a probabilidade de haver fatores de risco herdados, principalmente de familiares de primeiro e segundo grau que possuam a doença. Parece também estar associado a hormonas femininas, particularmente o estrogénio e a progesterona, dado ocorrer em grande parte dos casos após a puberdade, durante a gravidez, após cirurgia ginecológica, e na altura da menopausa. Em determinados casos, surge também devido a lesões hepáticas.

Pacientes diagnosticados com lipedema tendem a ganhar peso em áreas lipedémicas e a perder peso em áreas não lipedémicas. Pacientes obesos com lipedema submetidos a cirurgia bariátrica (cirurgia para redução do estômago) tendem a perder gordura, principalmente a partir da cintura para cima.
Os sintomas do lipedema incluem comprimentos desproporcionais e quadris desproporcionais. Com a evolução da doença, os pacientes tornam-se cada vez mais pesados na parte inferior do corpo. A expansão das células de gordura acaba por interferir com as vias dos vasos linfáticos, podendo os pacientes virem a desenvolver linfedema secundário.
Inchaços simétricos, dor ao toque e pressão, grande tendência para hematomas, num estádio avançado a pele arrefece mais depressa e a circulação sanguínea é má e pele com “casca de laranja” são também sintomas da condição.

No diagnóstico da condição é considerado o historial do paciente, assim como os sintomas após inspeção e palpação.
Existem diferentes graus para o lipedema:

Tipo I: acumulação de tecido adiposo subcutâneo nas nádegas e ancas e desenvolvimento fácil de hematomas após lesões insignificantes ou de contacto mais intenso.
Tipo II: o lipedema atinge os joelhos, havendo formação de bolsas de gordura.
Tipo III: o lipedema vai da anca ao tornozelo.
Tipo IV: os braços e as pernas ficam afetados exceto mãos e pés.
Tipo V: lipolinfedema com acumulação de líquidos nas mãos e pés, assim como nos dedos das mãos e pés.

Estádios alteração da pele:

Estádio I: superfície da pele ligeiramente granulada e sensibilidade ao toque.
Estádio II: superfície da pele com alta granulação e covas maiores.
Estádio III: grandes edemas e deformações da pele.

Dieta e exercício não ajudam a reduzir a quantidade de gordura associada ao lipedema, dado que a causa da doença não está associada a uma má alimentação ou hábitos alimentares pouco saudáveis.
É aconselhado que os pacientes diagnosticados com a condição usem peças de vestuário que faça compressão, no entanto, algumas pessoas não toleram este vestuário, dado que a gordura lipedémica subjacente causa bastantes dores, levando consequentemente a efeitos colaterais do linfedema, nomeadamente infeções recorrentes e desenvolvimento de fibroses.
Para tratamento da condição é muitas vezes aconselhado:

  • Drenagem linfática manual: uma forma de massagem que utiliza movimentos rítmicos suaves
  • Compressão: uso de meias e cinta ajudam a comprimir os tecidos das pernas e do quadril
  • Terapia descongestiva completa, apesar de não eliminar a gordura, ajuda na diminuição dos sintomas causados pelo lipedema
  • Exercício físico (principalmente natação, hidroginástica)
  • Cuidado com a pele e unhas
  • Terapia de compressão: utilização de meias de compressão até à classe IV
  • Normalização do peso
  • Compressão aparativa linfática
  • Fisioterapia
  • Reabilitação funcional
  • Câmara de frio
  • Terapias operativas através da liposucção podem vir a danificar os vasos linfáticos e mais tarde a provocar linfedemas.

Apesar de este ser um problema sem tratamento específico, pode ser controlado seguindo orientações dadas por um profissional de saúde.
Alguns tratamentos usados para atenuar o edema (inchaço) não são eficazes no tratamento do lipedema. Tratamentos como:

  • Elevação dos membros inferiores
  • Toma de diuréticos
  • Dieta – regra geral as dietas levam a uma perda de gordura nas áreas não afetadas pelo lipedema, tendo um reduzido efeito sobre as zonas afetadas

No caso do lipedema ser diagnosticado precocemente, apesar de muito raro, poderá evitar-se uma expansão significativa das células de gordura e alertar os pacientes para os fatores de risco acrescidos, para que sejam tomadas medidas o mais adequadas possível.
Se o lipedema não for mantido sob controlo através de um estilo de vida saudável, a doença poderá piorar e os pacientes tornar-se-ão cada vez menos móveis.
Uma complicação temível dos linfedemas é a sua malignização. Um linfedema num estado bastante avançado e de longa duração poderá levar à formação de linfangiossarcoma – tumor maligno que se forma nas células endoteliais que revestem os vasos linfáticos – sendo no entanto, muito pouco frequentes (menos de 1% dos casos).
Um agravamento do linfedema dos membros inferiores pode levar a infeções. Uma infeção é um fator que agrava a insuficiência linfática. A falência imunológica local do membro explica o ciclo vicioso “infeção-edema”. Os germes mal ou não drenados favorecem o aparecimento de agentes infecciosos.

Pacientes diagnosticados com linfedema poderão ser envolvidos numa equipa multidisciplinar, constituída por especialistas em:

  • Angiologia e Cirurgia Vascular
  • Dermatologia
  • Cirurgia Plástica
  • Psicologia
  • Fisioterapia
  • Drenagem linfática manual
  • Nutricionistas