Parkinson

A Doença de Parkinson é uma doença crónica que afeta o sistema motor, ou seja, que envolve os movimentos corporais, levando a tremores, rigidez, lentificação dos movimentos corporais, instabilidade postural e alterações da marcha.

Até agora desconhece-se a razão por que algumas pessoas desenvolvem a doença e outras não. Sabe-se que os sintomas da doença devem-se à degenerescência dos neurónios da substância negra, no entanto, na maioria das vezes, é desconhecido o motivo que leva a essa alteração.

A Doença de Parkinson (DP) é também chamada de parkinsonismo primário ou idiopático porque é uma doença para a qual nenhuma causa conhecida foi identificada. Por outro lado, diz-se que um parkinsonismo é secundário quando uma causa pode ser identificada ou quando está associada a outras doenças degenerativas. Cerca de 2/3 de todas as formas de parkinsonismo correspondem à forma primária.

Quais os fatores que podem desencadear o parkinsonismo secundário?

- Uso exagerado e contínuo de medicamentos (por exemplo fenotiazinas, lítio, haloperidol, flunarizina, cinarizina, etc.)
- Trauma craniano repetitivo. Os lutadores de boxe, por exemplo, podem desenvolver a doença devido às pancadas que recebem constantemente na cabeça. Isso pode afetar o bom funcionamento cerebral.
- Isquemia cerebral. Quando a artéria que leva sangue à região do cérebro responsável pela produção de dopamina entope, as células param de funcionar.
- Frequentar ambientes tóxicos (como indústrias que utilizem manganês (de baterias por exemplo), de derivados de petróleo e de inseticidas).

- Tremor: o tremor para durante o sono e diminui com o movimento.
- Rigidez: pode causar dores musculares e postura encurvada.
- Bradicinesia: movimentos lentos. Iniciar movimentos exige um esforço extra, causando problemas para levantar de cadeiras e de camas. O andar pode limitar-se a passos curtos e arrastados. As expressões faciais e o balançar os braços enquanto caminha tornam-se mais vagarosos ou ausentes.
- Alterações do equilíbrio.
- Voz: a pessoa passa a falar baixo e de maneira monótona.
- Escrita: a caligrafia torna-se tremida e pequena.
- Artralgia: será encontrada na imensa maioria dos pacientes com DP que já desenvolveram algum grau de rigidez muscular.
- Sistema Digestivo e Urinário: a deglutição e mastigação podem estar comprometidas, alterações urinárias e obstipação intestinal podem ocorrer pelo funcionamento inadequado do sistema nervoso autónomo.
- Determinados movimentos involuntários automáticos são gradualmente abolidos durante a evolução da DP. As pálpebras, por exemplo, ficam indolentes, piscando cada vez menos. Os braços que não balançam ao andar resultam em uma marcha típica.
- Depressão e défice cognitivo: a depressão é um sintoma bastante frequente e pode ocorrer cedo na evolução da doença, mesmo antes dos primeiros sintomas serem notados.
- O raciocínio torna-se mais lento e pode haver dificuldades específicas em atividades que requerem organização espacial. Entretanto, de modo geral, as funções intelectuais e a capacidade de julgamento estão preservadas.

O diagnóstico baseia-se na história do doente, juntamente com exames neurológicos. Esses testes visam a identificação de assimetria no início dos sintomas, presença de tremor em repouso, rigidez muscular, etc. O exame PET Scan (tomografia por emissão de positrões) revela como está a função dos neurónios produtores de dopamina do cérebro. O exame SPECT (tomografia computadorizada com emissão de fóton único) também é útil nessa identificação das funções dopaminérgicas do cérebro. É importante ressaltar que esses exames revelam a atividade de neurónios produtores de dopamina no cérebro, não sendo conclusivos sobre o diagnóstico da Doença de Parkinson.
Dessa forma, não há exames de imagem ou exames de sangue que diagnostiquem a Doença de Parkinson. O diagnóstico baseia-se, portanto, nas evidências clínicas apresentadas pelos pacientes, auxiliado pela informação dos meios complementares de diagnóstico.

O tratamento em relação à etiologia (se possível) pode consistir simplesmente na retirada do fármaco precipitante, ao tratamento da infeção (se presente), à prevenção secundária da doença vascular, ou então tratar os sintomas com as mesmas medicações e segundo as diretrizes da DP.
O tratamento da DP pode dividir-se de forma estratégica em:

1) medidas não-farmacológicas
2) medidas farmacológicas
3) tratamento cirúrgico

As medidas não-farmacológicas compreendem uma série de hábitos e medidas de valor especial na DP por minimizar algumas das suas complicações. Estas medidas não atenuam a gravidade da doença ou impedem a sua progressão, mas mantém o indivíduo melhor preparado para enfrentar as alterações orgânicas e psicológicas decorrentes da conjunção e insuficiência motora típicas desta enfermidade. Tais medidas são: a educação, o tratamento de suporte, o exercício e a nutrição.
Existem várias alternativas farmacológicas disponíveis, contudo, a levodopa continua a ser a principal forma de tratamento da doença de Parkinson idiopática.
Com os novos aperfeiçoamentos tecnológicos é possível o tratamento cirúrgico em casos selecionados.

O uso prolongado da levodopa pode estar associado a sintomas neuro-psiquiátricos.

É importante que o médico faça o diagnóstico diferencial, para não confundir a Doença de Parkinson com outra condição – como o tremor essencial ou familiar, parkinsonismo farmacológico, infeções do Sistema Nervoso Central, traumatismo craniano, hidrocefalia de pressão normal, etc.).

A Doença de Parkinson não se restringe apenas a transtornos da motricidade; alterações psíquicas decorrentes tanto da dificuldade em se iniciar movimentos, quanto das mudanças neuro químicas induzidas por deficiência de dopamina ou pela ação dos medicamentos utilizados e pela nova visão que o paciente tem do meio, são responsáveis pela grande prevalência de depressão reativa entre estes indivíduos. Por estes motivos, não devemos delegar todas as tarefas de suporte, inclusive psicológico, a outros profissionais e esquecer o papel fundamental do médico. Uma sólida relação entre um profissional seguro, confiante e empático, que demonstre estar efetivamente preocupado com o paciente e aqueles que o cercam; animando, esclarecendo e reconfortando durante as consultas, tem uma eficácia tão ou mais poderosa que as drogas antidepressivas.

Nestas situações o especialista mais indicado é o de neurologia.

As patologias associadas derivam da deterioração progressiva das funções orgânicas, osteoporose, atrofia muscular, alterações funcionais do trato digestivo e urinário, ou secundárias aos efeitos secundários dos fármacos.

As alterações emocionais são comuns. Os doentes podem sentir-se inseguros e temerosos quando submetidos a alguma situação nova. Podem evitar sair ou viajar e muitos tendem a retrair-se e evitar contactos sociais. Alguns perdem a motivação e tornam-se excessivamente dependentes de familiares. As alterações da memória, geralmente na forma de "esquecimentos" ou "brancos" momentâneos são comuns. Neste contexto, a intervenção de profissionais treinados e o apoio da família são fundamentais.

O exercício não impede a progressão da doença, mas mantém um estado de funcionamento muscular e osteoarticular conveniente. Os anos de evolução de rigidez e bradicinesia produzem alterações patológicas ósseas (osteoporose e artrose), responsáveis por uma incapacidade funcional ainda mais limitante. Além disso, o bom impacto dos exercícios sobre a disposição e o humor são pontos favoráveis a esta terapia.

A limitação motora progressiva, associada a outros fatores como a desnutrição e perda de peso (observados em grande parte dos pacientes), a depressão e a incapacidade para as atividades comuns, afetam o desempenho e a inserção social dos doentes.

Como diminuir o impacto das mesmas?

O apoio familiar e uma boa relação médico/doente contribuem para minimizar os efeitos das incapacidades do doente. Uma dieta adequada com refeições ricas em cálcio e fibras, produzem um melhor estado orgânico, bem-estar geral, prevenção de osteoporose e de obstipação intestinal.
Alternativas valiosas são os grupos de apoio, o aconselhamento financeiro (quando a enfermidade acomete o principal responsável pelo orçamento familiar) e a terapia ocupacional.

A Doença de Parkinson não é uma doença fatal. Contudo, é uma desordem degenerativa progressiva, até que deixa os doentes completamente debilitados. A situação clínica agrava-se geralmente numa média de 15 anos.
A taxa de progressão e o curso da doença variam. O curso é relativamente benigno em alguns pacientes, com pouca inabilidade após vinte anos, e pode ser mais agressivo noutros que podem ficar severamente desabilitados após dez anos de sintomas.